A banca das escolhas: O que você vende diz muito sobre você
Nessa vida todos somos vendedores, não importa a profissão
Uma metáfora sobre vender, escrever, viver… e continuar fiel ao que importa
Num mercado qualquer, havia quem vendesse de tudo: sabores, histórias, cheiros e memórias.
Com o tempo, aquele vendedor percebeu algo curioso: entre os cem que passavam por ali todos os dias, 49 paravam de um lado. E 51 do outro.
Não era sobre o que ele preferia preparar. Era sobre o que as pessoas procuravam. E sobre o que ele podia oferecer sem ferir a própria essência.
Então, ele continuou a fazer os dois. Com cuidado. Com atenção. Com ética.
Alguns clientes vinham só pelo sabor. Outros, pela conversa. Havia os que voltavam pelo costume… e os que voltavam pelo carinho.
No fim do dia, ele entendeu que não se tratava de escolher um ou outro. Mas de saber como oferecer.
Porque respeitar o gosto do outro não significa apagar o seu.
E entre as bandejas da vitrine, ele sempre deixava um espaço um canto só seu. Às vezes, ninguém reparava. Mas de vez em quando, alguém parava ali, curioso, e dizia:
“Isso aqui… é diferente. Me conta mais sobre isso.”
E era nesse momento que tudo fazia sentido.
Nem todo mundo gosta do que você gosta. E tá tudo bem.
Se você cria conteúdo, vende um produto ou compartilha ideias, já sentiu esse dilema: “Será que falo do que amo ou do que as pessoas estão procurando?” A resposta honesta é: os dois.
O segredo está no equilíbrio. Se de 100 pessoas, 49 querem X e 51 querem Y, não é sobre você. É sobre elas. Venda Y. Mas... quem disse que você também não pode ter X?
Um conteúdo só é válido se você não precisa escondê-lo
“Se você precisa esconder o que vende, tem algo errado.” E isso vale pra tudo, do produto ao texto. Falar o que realmente importa, com integridade, é o que separa quem cria por amor de quem só repete o que tá em alta.
No meu caso, eu escrevo artigos de temas que não gosto, sim. Mas entre um e outro, coloco algo que é só meu. É como vender Y, mas deixar X no canto pra quem gosta.
No fim, o que vale é o que você faz com sua escolha
Se você respeita quem te lê, te ouve ou compra de você, pode até vender Y. Mas nunca esqueça de pôr um pouco de X. Porque a pessoa pode nem saber, mas ele sente quando algo foi colocado exatamente porque ele gosta.
Então vá lá, venda o que os clientes querem… mas recheie com o que você acredita.

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