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A Competição Literária

A Competição Literária
Daniel Crocciari
Por: Daniel Crocciari
Dia 15/11/2023 05h47

Abe no Nakamaro e Sugawara no Michizane

Nakamaro:

No reino das palavras, dançamos, Michizane,

Como gralhas no crepúsculo, numa dança ardente.

Meus versos, um exílio na terra distante,

Mas como vento, retornam com um suspiro crescente.

Michizane:

Ah, Nakamaro, habilidoso nas artes da linguagem,

Teus versos ressoam, ecoam como trovões.

Mas, aqui, em solo japonês, onde floresce a sabedoria,

Minhas palavras são rios que fluem por corações.

Nakamaro:

Do outro lado do mar, onde o silêncio se aprofunda,

Eu, Nakamaro, exilado, moldo meu pesar.

Mas minhas palavras cruzam oceanos, como aves,

E na corte japonesa, espero um reencontro singular.

Michizane:

Ah, Nakamaro, o exilado destemido,

Teus versos, como sussurros, ecoam na brisa.

Mas no coração do Japão, minhas palavras florescem,

Em jardins de conhecimento, onde a verdade sorri.

 Nakamaro:

Do Oriente distante, minhas palavras voam,

Como gralhas negras, sombrias, mas cheias de emoção.

Na competição literária, a surpresa se revela,

E o exílio se dissolve, como névoa ao amanhecer.

Michizane:

Nakamaro, teu exílio é a melodia da saudade,

Mas aqui, nas terras do Sol Nascente, floresce o entendimento.

A competição literária, uma dança de almas sábias,

O retorno é certo, com versos como o vento.

Narrador:

Dois anos se passaram desde a partida de Sugawara no Michizane, e uma sombra pairava sobre as terras do Japão. Calamidades se desencadearam como se a própria natureza lamentasse a perda de um sábio. Tempestades rugiram furiosas, incêndios devoraram com fúria e mortes violentas ensombraram os dias.

O povo começou a murchar sob o peso dessas desgraças, buscando uma explicação para tanta tristeza. E então, os sussurros do sobrenatural ecoaram pelos corredores da corte e das aldeias. Dizia-se que o espírito de Michizane estava enfurecido, buscando vingança por sua morte prematura.

 Para apaziguar a ira espiritual, os sábios e líderes da época tomaram uma decisão notável. Em um gesto de reconhecimento à erudição e respeito pelos feitos de Michizane, ele foi reintegrado postumamente a um posto elevado. Este ato, destinado a honrar sua memória, buscava acalmar as forças inquietas que pareciam atormentar a terra.

A reverência cresceu ainda mais, e com o tempo, Michizane transcendeu a mortalidade para tornar-se uma deidade venerada. Seu espírito, uma vez atribuído a calamidades, foi agora invocado para trazer bênçãos, conhecimento e proteção. Os altares foram erguidos, os rituais foram estabelecidos, e Sugawara no Michizane tornou-se Tenjin, a divindade da erudição e da academia.

 E assim, o trágico destino de Michizane se transformou em uma narrativa de redenção e transcendência, onde o homem que enfrentou desafios em vida foi, após a morte, elevado à posição de uma deidade respeitada, trazendo paz e sabedoria às terras que um dia o viram partir.

A Competição Literária entre Abe no Nakamaro e Sugawara no Michizane é uma lenda bastante conhecida no Japão, e não é considerada um evento histórico comprovado. Essa narrativa é frequentemente associada ao folclore japonês e à tradição literária.

A história remonta ao período Heian (794-1185) e envolve dois notáveis ​​figuras da época: Abe no Nakamaro, um poeta e diplomata, e Sugawara no Michizane, um renomado erudito e político. A lenda conta que os dois participaram de uma competição literária, que envolveu a composição de poemas waka (um tipo de poesia tradicional japonesa).

 Na narrativa, Abe no Nakamaro estava viajando para a China para estudar, enquanto Sugawara no Michizane permaneceu no Japão. Durante a competição, Nakamaro prometeu enviar poemas para Michizane por meio de uma lanterna mágica chinesa, conhecida como "tōrō" em japonês. No entanto, Nakamaro encontrou dificuldades durante sua jornada e acabou falecendo no exterior, sem cumprir sua promessa.

A lenda é muitas vezes interpretada como uma expressão da rivalidade e da busca pela excelência literária entre eruditos na corte imperial do período Heian. No entanto, é essencial compreender que as lendas e histórias folclóricas frequentemente misturam elementos de ficção e realidade, tornando-se parte integrante da cultura e da identidade de uma sociedade, mas não necessariamente fatos históricos verificáveis.

 Não há registros autênticos de poemas específicos atribuídos à competição literária entre Abe no Nakamaro e Sugawara no Michizane, pois a história é mais uma lenda e mito do que um evento historicamente documentado. No entanto, ambos eram figuras notáveis ​​no campo da poesia waka, e seus próprios trabalhos poéticos são conhecidos e estudados no contexto da literatura clássica japonesa.

 A poesia waka é uma forma lírica tradicional japonesa, e muitos poetas da época Heian contribuíram significativamente para o desenvolvimento dessa tradição. Sugawara no Michizane, por exemplo, é conhecido por seus poemas elegantes e sofisticados. Se você estiver interessado em explorar os poemas desses dois notáveis poetas, pode procurar antologias de poesia waka ou obras que se concentrem na literatura clássica japonesa.

 Embora os detalhes da competição literária sejam mais lendários do que históricos, os poemas desses dois eruditos oferecem uma visão fascinante da sensibilidade poética da época Heian e das complexidades da cultura literária japonesa.

Vou compartilhar um exemplo de um poema de Sugawara no Michizane, conhecido como "Michizane's Last Poem" (O Último Poema de Michizane), que foi supostamente escrito pouco antes de sua morte:(encontrei pesquisando no google)

 青く澄みわたる空にしのぶれど

Aoku sumiwataru sora ni shinoburedo

 花の香に心ひとすじになりぬ

Hana no kaori ni kokoro hitosuji ni narinu

Esta tradução livre seria algo como:

 "Mesmo que eu me esconda sob o azul claro e sereno do céu,

Meu coração se torna um único fio com a fragrância das flores." 

Se ficou interessado

Busque antologias de poesia waka, que frequentemente incluem trabalhos de poetas notáveis da época Heian. "Kokin Wakashu" é uma das mais famosas antologias e pode ser um bom ponto de partida.
encontrei muitas coisas na UFG e UFRJ(universidade federal de Goiás e Universidade do Rio de Janeiro) mas tem muita coisa sobre poesia Waka em várias páginas sobre literatura.


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