Call of the Night 夜ふかしの歌 (Yofukashi no Uta) — A liberdade inquieta da madrugada
O mangá 夜ふかしの歌 (Yofukashi no Uta), ou Call of the Night, é uma obra de Kotoyama (o mesmo autor de Dagashi Kashi) publicada desde 2019 na revista Weekly Shōnen Sunday. Com uma estética urbana e noturna, a história nos convida a enxergar a madrugada como um refúgio, um lugar onde os problemas do dia não existem e tudo parece possível… até virar sobrenatural.
A sinopse além do óbvio
A história gira em torno de dois protagonistas: um garoto de 14 anos chamado Yamori Kou, e uma vampira misteriosa chamada Nanakusa Nazuna.
Kou era um aluno introvertido durante o ensino fundamental. Ao entrar no ensino médio, ele decide mudar e começa a imitar seu melhor amigo de infância, Akira Seki, que é extrovertido, popular e se dá bem com todo mundo. Mas essa "máscara social" logo se despedaça quando duas garotas confrontam Kou por rejeitar uma amiga delas após um pedido de namoro.
Sem entender o que fez de errado e se sentindo deslocado, Kou começa a desenvolver insônia. Passa a vagar sozinho pelas ruas da cidade durante a noite e é nesse silêncio acolhedor que ele encontra algo que a vida diurna nunca ofereceu: liberdade.

Em uma dessas noites, ele conhece Nazuna, uma mulher excêntrica, que mais tarde revela ser uma vampira. A partir daí, os dois criam uma amizade estranha, divertida e até confusa, entre conversas filosóficas e situações malucas. Ela o guia pelo “mundo da noite” um espaço que, em teoria, só os adultos deveriam aproveitar (kkk já entenderam essa parte ne?).

Vampiros com regras (e crises existenciais)
O relacionamento dos dois vai e vem entre amizade e algo mais. Mas o que parece ser apenas uma história sobre amor adolescente toma outro rumo quando descobrimos que existe uma sociedade de vampiros.
Nazuna é só uma entre vários que vivem ocultos, com suas próprias regras, dilemas e “filhos” humanos que foram transformados.
Kou descobre que para se tornar um vampiro, ele precisa se apaixonar por Nazuna e permitir que ela beba seu sangue. No entanto, existe uma reviravolta: se um vampiro se apaixonar por um humano e beber seu sangue, ele morre. Ou seja, a transformação depende de um sentimento real, mas também carrega um risco que nem mesmo os próprios vampiros compreendem totalmente.
E tem mais: além de outros vampiros que não veem Kou com bons olhos, surge também uma detetive obstinada que conhece a existência dos vampiros e nutre um profundo ódio por eles devido a um trauma familiar.

Uma jornada emocional, sobrenatural e… adolescente
Tanto Kou quanto Nazuna estão em um processo de descoberta. Ele ainda não entende bem seus sentimentos; ela, apesar de ser uma vampira, nunca teve um “filho” nem se envolveu romanticamente com ninguém. Os dois tentam juntos explorar as regras mal definidas entre humanos e vampiros, amor e amizade, liberdade e responsabilidade.
E é aí que Call of the Night brilha: não é só uma história sobre vampiros, mas sobre pessoas tentando encontrar seu lugar na escola, no mundo, na noite e dentro de si mesmos.
Pontos que se destacam:
Atmosfera: É quase poética. As noites da cidade são cheias de luzes de neon, silêncios urbanos e conversas profundas.
Temas: Liberdade, insônia, amadurecimento, amor e o tédio da vida diurna.
Estética: Kotoyama tem um traço estilizado, com foco nos olhares dos personagens e ambientações noturnas. A Nazuna, em particular, tem um design marcante (hiperativa, descontraída e sempre com um sorriso enigmático).
Vampiros nada convencionais: São mais humanos do que monstros. Têm suas próprias regras e formas de enxergar o mundo, o que quebra muitos clichês do gênero.
Vale a pena?
Com um traço estilizado, ambientação incrível (a cidade à noite parece viva) e personagens bem construídos, Yofukashi no Uta é uma obra que mistura existencialismo adolescente com estética de neon e mistério urbano. É divertida, reflexiva e às vezes melancólica — como uma madrugada bem passada.

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