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Filme Cores da Justiça (2019): Um Suspense de Ação com Direção que poderia ser melhor

Filme Cores da Justiça (2019): Um Suspense de Ação com Direção que poderia ser melhor
Liliane Yoshiduka
Por: Liliane Yoshiduka
Dia 13/03/2025 00h00

Cores da Justiça (Black and Blue) é um thriller de ação lançado em 2019, dirigido por Deon Taylor. O filme tenta trazer uma narrativa intensa sobre corrupção policial, tensão racial e justiça, mas acaba tropeçando em clichês e personagens inconsistentes.

Uma Premissa Promissora, uma Execução Nem Tanto


A história gira em torno de Alicia West (Naomie Harris), uma policial novata que retorna a Nova Orleans após servir em três guerras no Oriente Médio. Durante um turno de patrulha, ela acidentalmente testemunha e grava em sua câmera corporal a execução de um jovem traficante por um grupo de policiais corruptos, liderados por Terry Malone (Frank Grillo). A partir desse momento, Alicia se torna um alvo tanto da polícia corrupta, que quer apagar as provas, quanto das gangues locais, que acreditam que ela seja culpada pela morte do rapaz.

Desesperada para sobreviver e divulgar a gravação, ela encontra ajuda em Milo "Mouse" Jackson (Tyrese Gibson), um ex-conhecido que reluta em se envolver. A caçada começa, colocando Alicia contra todos enquanto ela tenta provar a verdade.

 

Críticas: Oportunidade Perdida


O conceito do filme tinha potencial: um suspense policial que mistura adrenalina com crítica social, colocando em xeque o sistema e as relações de poder entre a polícia e as comunidades marginalizadas. O problema é que a execução não acompanha a ideia.

A Protagonista que Deveria Ser Forte, mas...
Alicia West é apresentada como uma veterana de guerra que já esteve em três conflitos, o que sugere que ela deveria ser durona, tática e acostumada com situações de extremo perigo. No entanto, o que vemos na tela é uma personagem frágil, assustada e até ingênuo em vários momentos. A narrativa insiste em retratá-la como uma novata que nunca enfrentou um verdadeiro combate, o que entra em contradição direta com seu passado militar.

Se fosse um filme dirigido por Steven Spielberg, provavelmente teríamos uma protagonista que realmente pareceria alguém que passou por três guerras, com um desenvolvimento emocional bem mais convincente. Mas não. O que temos é uma policial que já deveria ter visto de tudo e, mesmo assim, age como se estivesse em sua primeira missão.

O Vilão do Tráfico Que Deveria Impor Medo... Mas Só Passa Vergonha
Darius (Mike Colter), o suposto "chefe do crime" que deveria ser um grande antagonista, acaba sendo um dos elementos mais fracos do filme. Ao invés de transmitir uma ameaça real, ele parece apenas mais um figurante com tempo de tela extra. Suas motivações nunca são desenvolvidas, e sua presença como líder de gangue é tão intimidadora quanto um gato bravo.

Talvez, sob a direção de Ridley Scott ou Christopher Nolan, teríamos um vilão digno, com presença real e profundidade psicológica. Mas, infelizmente, ficamos apenas com um personagem esquecível.

O Policial Corrupto Que Salvou o Filme
O grande destaque é Terry Malone, interpretado por Frank Grillo. Mesmo com uma direção inconsistente, ele consegue passar a frieza e crueldade de um policial corrupto que faria de tudo para se proteger. Ao contrário dos outros personagens rasos, ele realmente transmite a sensação de perigo, manipula a narrativa a seu favor e tem um objetivo claro: apagar as provas e sair impune.

O desfecho dele, sendo preso em vez de simplesmente morrer como um vilão genérico, dá um toque de satisfação, mesmo dentro de um roteiro fraco.

 

Um Filme Que Poderia Ter Sido Muito Melhor


"Cores da Justiça" é um filme que tinha uma premissa interessante, mas sofreu com uma direção fraca e personagens inconsistentes. Enquanto o policial corrupto foi bem construído, a protagonista não convence e o vilão do tráfico é completamente esquecível. Se tivesse caído nas mãos de um diretor mais experiente, poderíamos estar falando de um excelente thriller policial.

Mas não. Tivemos que nos contentar com um filme que poderia ser muito melhor se Spielberg tivesse dirigido. Pelo menos assim, poderíamos acreditar que a protagonista sobreviveu a três guerras sem desmaiar de susto a cada tiro.

Nota final: 5/10. Assista por sua conta e risco (ou apenas para ver Frank Grillo carregando o filme nas costas).

 


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