História de fantasma: O espírito que caminha na noite. Mais uma história verídica
Aconteceu na cidade de Ina na Província de Nagano
Era um dia comum no trabalho, e durante o intervalo, minha amiga Júlia e eu estávamos conversando sobre tudo e nada, como sempre fazíamos. A fabrica estava tranquilo, apenas o murmúrio distante de colegas rindo e conversando.
"Lili," Júlia começou, o rosto pálido e os olhos arregalados. "Eu acho que estou vendo fantasmas."
Fiquei intrigada. "Você já viu algum antes?"
Ela balançou a cabeça, visivelmente assustada. "Nunca. Mas agora... agora eu vejo todas as noites, no mesmo lugar, à mesma hora. Tenho medo de contar a alguém. Eles vão rir de mim ou me chamar de louca."
Eu a ouvi atentamente enquanto ela descrevia a figura que aparecia na estrada escura que serpenteava entre as plantações de arroz. Um homem com um chapéu de palha pontudo, como nos filmes chineses, vestindo um kimono curto e calças de samurai. Ele estava sempre lá, esperando, e desaparecia assim que ela passava por ele, quando ela olhava no retrovisor, o espírito não estava mais.
"Troque de rua," sugeri, tentando acalmá-la.
"Não há outra rua," ela respondeu, desesperada. "Essa é a única que leva à minha casa."
Então, ela me pediu para ficar com ela alguns dias. Concordei, e passamos o resto do dia esperando ansiosamente pela noite.
No dia seguinte, fomos ao trabalho e, na volta para casa, peguei carona com ela. Percorremos a estrada sombria, e não vi nada. "E o fantasma?" perguntei.
"Ele não apareceu porque você está aqui," ela respondeu, ainda apreensiva. Acho que você me deu sorte.
Na noite seguinte, voltamos pela mesma estrada. E dessa vez, eu o vi. Um vulto medieval, com o chapéu de palha e o Hitatare, flutuando sem pernas. E então, como sempre, ele desapareceu.
"Está vendo? Eu não menti," Júlia disse, a voz cheia de uma estranha mistura de alívio e medo.
Precisávamos descobrir por que estávamos vendo esse fantasma e por que ele sempre desaparecia naquela encruzilhada entre as plantações de arroz. Sugeri que talvez houvesse um memorial ou flores ali, marcando o local de sua morte. Voltamos, decididas a investigar e a rezar pela alma que andava perdida.
Quando chegamos à encruzilhada, lá estava ele, mas desta vez, à distância. Os faróis do carro iluminavam sua figura. Decididas, paramos o carro e descemos depois nos aproximamos com cautela.
O que descobrimos foi ao mesmo tempo surpreendente e cômico. À medida que nos aproximávamos, percebemos que o "fantasma" era, na verdade, um corredor noturno, um idoso excêntrico que corria todas as noites com roupas tradicionais e um chapéu de palha para se proteger do sereno. Ele desaparecia na encruzilhada porque aquela era a entrada de sua casa, onde ele terminava sua corrida noturna, e o fato de estar sem pernas era porque aqui no Japão o arroz é plantado na água, então tem um barranquinho para represar a água e impedir que vá para a rua, como a ruazinha é estreita parecia que ele não tinha pernas.
Júlia e eu caímos na gargalhada, aliviadas e um pouco envergonhadas. Afinal, o "fantasma" não passava de um vizinho peculiar com um gosto por trajes históricos. Mas o corredor estava vestido exatamente como a imagem da capa.

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