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Lixo não é lixo ou é? História Verídica

Lixo não é lixo ou é? História Verídica
Redação EhJapa
Por: Redação EhJapa
Dia 11/09/2024 10h15

Mais uma história daquelas que só quem quer economizar entende

Chegar ao Japão em 1996 foi uma experiência cheia de descobertas. Eu ouvi muitas histórias curiosas, mas uma delas realmente se destacou. Imagine só: um casal de brasileiros, recém-chegados no país, animados com a ideia de começar uma nova vida, decide economizar onde pode. Afinal, como muitos outros naquela época, eles não dormiam em camas, mas em futons. No entanto, uma oportunidade "imperdível" surgiu e mudou tudo.

Lixo não é lixo ou é? História Verídica

Era como aquelas feiras de garagem nos EUA, mas sem a feira. Aqui no Japão, muitos brasileiros tinham o hábito de pegar móveis e outros itens que os japoneses deixavam na calçada para descarte. Era praticamente um festival de achados! Um colchão? Uma cama? Por que não? O que poderia dar errado, não é mesmo?

Certo dia, esse casal passava em frente à casa de um simpático senhor japonês, que os cumprimentava todos os dias da sua janela. E então, eis que surge o "presente dos deuses": uma cama e um colchão novinhos em folha, prontos para serem recolhidos pela prefeitura. Foi amor à primeira vista. Eles, cansados de dormir no chão, não pensaram duas vezes e levaram o tesouro para casa. Afinal, quem deixa um colchão tão novinho na rua?

Bom, mal sabiam eles o que os aguardava... Dias depois, o casal começa a sentir uma coceira insuportável. Era daquelas coceiras que não te deixam em paz, que nem banho quente resolve. Preocupados, correram ao médico. "Alergia", ele disse, com a calma que só um médico japonês pode ter. Uma alergia causada por uma doença de pele, mas nada grave – era curável.

Curiosamente, o velhinho que eles sempre viam na janela não estava mais lá. Sentindo falta do simpático senhor, o casal comentou o fato com outro grupo de brasileiros. E aí veio a revelação: o senhor havia falecido há alguns dias. E de quê? perguntaram eles. O velhinho morreu de idade avançada e também uma alergia. A mesma coceira que os atormentava! O pobre velhinho tinha uma alergia crônica, e, devido à idade avançada, seu corpo já não respondia aos remédios.

E qual foi a primeira coisa que a família fez depois que o velhinho morreu? Isso mesmo: eles jogaram fora o colchão onde o velhinho passou seus últimos dias se coçando.

Mas sabe o que é engraçado, eles não contaram a ningúem que pegaram o colchão do velhinho que estava na rua. Alguém viu e espalhou a notícia que o casal de brasileiros havia catado o colchão e que agora estavam com pereba.

Moral da história: economizar é bom, mas pegar colchão do lixo pode te levar a experiências que você nunca esquecerá – ou nunca parará de coçar! Acho que é por isso que ninguém pega colchão que é deixado na rua. Mesmo que seja novinho.


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