Neymar Jr. O Príncipe que Preferiu o Home Office
A história de como o futebol perdeu seu maior artista para o departamento médico
Existe uma frase famosa no futebol que diz que "craque é o que joga". Se seguirmos essa lógica à risca, Neymar Jr. seria, estatisticamente falando, apenas um bom jogador.
Mas se considerarmos que ele passou mais tempo no departamento médico do que em campo, talvez devêssemos redefinir o conceito de "jogador que trabalha de casa" — como o próprio presidente do Brasil, Lula, brincou recentemente .
A Era de Ouro
Vamos combinar: no começo, era mágico. O moleque de Mogi das Cruzes chegou no Santos e transformou o futebol em uma escola de samba. Drible, ginga, chapéu, pedalada.
Ele não jogava futebol; ele fazia performances artísticas com uma bola nos pés, e os defensores eram apenas meros espectadores pagantes .
Foram 107 gols em 179 jogos
uma Libertadores que fez o Brasil inteiro acreditar que o herdeiro de Pelé finalmente havia chegado.
Aí veio o Barcelona. E com ele, o trio MSN — Messi, Suárez e Neymar — que deveria virar peça de museu de tão bonito. Uma Champions League em 2015, títulos nacionais, e o mundo aos seus pés .
Ele era o príncipe herdeiro, pronto para sentar no trono que Messi e Cristiano Ronaldo deixariam vago. Em 2015 e 2017, ficou em terceiro na Bola de Ouro . Faltava só um empurrãozinho.
A Grande Jogada
Foi aí que Neymar olhou para o príncipe no espelho e decidiu que queria ser rei. Em 2017, fez a mudança mais comentada do futebol: trocou o Barcelona pelo Paris Saint-Germain por €222 milhões — uma quantia tão absurda que até os sheiks piscaram .
A lógica era impecável: sair da sombra de Messi, ser o protagonista absoluto, liderar o PSG ao título inédito da Champions League e, finalmente, levantar a Bola de Ouro. O roteiro estava escrito.
O problema é que Neymar esqueceu de combinar com o departamento médico.
O Estágio no Departamento Médico
Se a carreira de Neymar fosse um filme, os títulos seriam: "Como eu parei de me preocupar e aprendi a amar a fisioterapia".
No PSG, o brasileiro jogou mais de 20 partidas no Campeonato Francês em apenas uma temporada durante seis anos . Isso é mais raro do que gol de zagueiro em final de Copa. Foram lesões atrás de lesões: tornozelo, metatarsos, joelho, panturrilha — Neymar colecionava problemas físicos como outros colecionam figurinhas da Copa .
Em seis anos em Paris, foram 112 jogos na liga . Uma média que para um jogador do seu calibre é, no mínimo, melancólica. Mas ele ainda teve lampejos de genialidade, levando o PSG à sua primeira final de Champions League em 2020 . O problema é que lampejos não constroem legado.
A Aventura Saudita
Se você pensou que a Arábia Saudita seria o paraíso dos velhos craques, Neymar provou que até o dinheiro tem limites. Chegou no Al-Hilal em 2023 com pompa, circunstância e uma lesão no joelho que o tirou de campo por 369 dias .
No total, foram sete jogos. Sete. Um gol e três assistências . O técnico Jorge Jesus, coitado, disse que Neymar é o melhor jogador com quem já trabalhou, mas completou:
"Não tive sorte, nem eu nem ele" .
Alguém dá um abraço nesse homem.
Enquanto isso, o Al-Hilal seguia ganhando títulos sem ele, com Aleksandar Mitrovic marcando gols como se não houvesse amanhã . A passagem de Neymar pela Arábia foi tão memorável quanto um pôster de um filme que você nunca assistiu.
O Retorno do Filho Pródigo
Em janeiro de 2025, Neymar fez o que todo mundo esperava: voltou para o Santos. O clube que o revelou, o carinho da torcida, o "príncipe está de volta" . Neymar disse que só o Santos pode dar o amor que ele precisa .
Em 2025 e 2026, jogou 28 partidas pelo Peixe, marcou 12 gols . Nada mal. Até que, em maio de 2026, uma lesão na panturrilha tirou-o da Copa do Mundo — pelo menos dos primeiros jogos. Ele ficou de fora contra Marrocos e Haiti, mas deve estrear contra a Escócia . Sim, o homem de 34 anos vai para sua quarta Copa , e a pergunta que não quer calar é: "Será que o corpo vai aguentar?".
O Legado do "E Se...?"
Neymar Jr. tem números de respeito: é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, com 79 gols , e um dos únicos jogadores com 100 gols por três clubes diferentes . Ele foi, indiscutivelmente, um dos jogadores mais talentosos da sua geração.
o maior artilheiro da Seleção Brasileira, com 79 gols
100 gols por três clubes diferentes
Mas o futebol não lembra apenas de números. Lembra de legados. E o legado de Neymar é uma grande novela de "e se...". E se ele não tivesse saído do Barcelona? E se tivesse ficado saudável? E se, em vez de colecionar lesões, ele tivesse colecionado títulos europeus e Bolas de Ouro?
A verdade é que Neymar será sempre lembrado como o artista que amava o futebol, mas que o futebol não amava de volta — ou melhor, que o corpo dele não colaborou. Ele é o craque que poderia ter sido o melhor do mundo, mas que passou mais tempo na maca do que no pódio. O príncipe que nunca subiu ao trono, porque o elevador estava quebrado.
Ou, como o presidente Lula brincou, o jogador que trabalha de casa .
E no fim, talvez seja isso:
Neymar era talentoso demais para este mundo, ou frágil demais para ele.
Resta-nos aplaudir os dribles que ele deu, mesmo que a carreira tenha sido uma grande... drible.

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