Aguarde, carregando...

O tempo que sobra depois da sobrevivência

O tempo que sobra depois da sobrevivência
Liliane Yoshiduka
Por: Liliane Yoshiduka
Dia 23/05/2025 00h00

Uma reflexão sobre os anos que realmente vivemos

Tem gente que mede sucesso por dinheiro. Outros, por estabilidade.
Mas talvez o sucesso esteja em algo mais simples: reconhecer o valor de um tempo que nos pertence. Quando posso tirar um cochilo na hora que quiser, não é luxo é uma conquista silenciosa, fruto de escolhas, de cansaços antigos e de aprendizados profundos.

Muita gente começa a trabalhar cedo, dorme quando dá, vive entre obrigações e urgências. E quando finalmente alcança algum controle sobre o próprio tempo, já carregou décadas nas costas. Por isso, cada hora livre se torna um bem precioso.

Aprendi que o tempo não volta. E mais: nem todo tempo gasto gera retorno. Mas o tempo que nos devolve paz, descanso, ou um sorriso sincero... esse vale mais que qualquer remuneração.

A vida, se fosse medida como um relógio de 24 horas, nos colocaria diante de uma contagem curiosa:
- Aos 10 anos, ainda é 3h da manhã
- Aos 20, 6h
- Aos 30, 9h
- Aos 40, meio-dia
- Aos 50, 15h
- Aos 60, 18h
- Aos 70, 21h
- Aos 80, 23h59
O que você ainda quer fazer antes da meia-noite?

Dividindo a vida em tarefas básicas, descobrimos que mais da metade do nosso tempo é consumida apenas para manter a existência:
- Cerca de 26 anos dormindo
- 12 anos trabalhando
- 13 anos resolvendo o dia a dia: comer, cuidar da casa, enfrentar filas, pagar contas

Sobra pouco. E mesmo esse pouco nem sempre é nosso. A infância nem sempre foi livre, a velhice nem sempre é ativa. E entre esses dois extremos, há tantos dias desperdiçados resolvendo o que não muda.

Talvez o tempo real para viver o que se deseja sem peso, sem culpa — não passe de 10 ou 15 anos. Em 80.

E ainda assim, quando a gente faz a conta real, o impacto é maior: trabalhamos 40 anos, mas se somarmos as horas efetivas, isso cabe em 9 anos corridos. A rotina ocupa tudo o tempo, a mente, o corpo e deixa pouca margem pra vida verdadeira.

É por isso que, às vezes, quando estou acordada de madrugada escrevendo ou criando algo, não vejo isso como desorganização. Vejo como escolha. Uma forma de investir as horas que me restam em algo que me devolve sentido.

Tempo mal vivido não avisa que está indo embora. Ele apenas passa, silencioso. E quando a gente nota, virou saudade ou frustração.

Há quem diga que tempo é dinheiro. Mas dinheiro se recupera. Tempo, não.

Ah, e sobre os anos bissextos... é verdade, temos 20 dias a mais ao longo de uma vida. Mas se fizermos as mesmas coisas com esses dias, eles se diluem. Talvez apenas dois deles sejam, de fato, nossos. Ainda assim, são dois dias. Dois presentes. Cuide deles.

Se você leu até aqui, talvez já saiba:
A vida não é sobre ganhar tempo, mas sobre não desperdiçá-lo.
E isso, meu amigo, minha amiga... é uma decisão que ninguém pode tomar por você.


Comentários

É preciso conectar para poder comentar
Conectar

Veja também:

Confira mais artigos e vídeos do EhJapa.