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Quando os monstros chegaram: Abbott and Costello Meet Frankenstein no Brasil

Quando os monstros chegaram: Abbott and Costello Meet Frankenstein no Brasil
Redação EhJapa
Por: Redação EhJapa
Dia 18/07/2025 00h00

Há exatamente numa sexta-feira, 14 de abril de 1950, estava em cartaz nos cinemas brasileiros o filme Abbott and Costello Meet Frankenstein, lançado originalmente nos Estados Unidos em 1948, mas que só chegou por aqui dois anos depois, como era comum na época. O encarte de jornal daquela sexta destacava o filme com letras grandes, dramáticas e chamativas, como se fosse o evento do século: “Um filme espoujante, onde estrodam as mais gostosas gargalhadas e as mais monstruosas piadas!” E, claro, com a clássica advertência: "Proibido para menores de 14 anos." Sim, um filme que hoje seria considerado "sessão da tarde" para crianças, era visto como ousado demais para os pequenos.

 Terror e comédia: monstros clássicos e piadas pastelão

O longa-metragem reúne a dupla de comediantes mais amada da época: Bud Abbott e Lou Costello que, apesar de não serem cantores de carreira, participaram de diversos musicais e são considerados artistas multifacetados. Neste filme, eles se metem numa confusão assustadoramente engraçada, misturando o universo da comédia com o da clássica galeria de monstros da Universal.

Enredo:
Wilbur (Costello) e Chick (Abbott) trabalham numa transportadora.

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Tudo vai bem até que eles são encarregados de entregar dois caixotes para um museu de "monstros". O problema? descobrem que os caixotes contêm Frankenstein (interpretado por Glenn Strange) e Drácula (Bela Lugosi, sim, o próprio),

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que estão bem vivos ou quase isso.

Drácula, com seus planos sombrios, quer usar o cérebro de Wilbur para reviver Frankenstein e torná-lo obediente (ele acha o cérebro do Costello ideal). No meio dessa loucura, surge o Lobisomem (Lon Chaney Jr.),

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tentando alertar e salvar a dupla da tragédia iminente, pois sabe que Drácula tem planos macabro. O filme termina com uma surpresa final: a voz do Homem Invisível, interpretado por ninguém menos que Vincent Price.

Quando os monstros chegaram: Abbott and Costello Meet Frankenstein no Brasil

 Um marco para o cinema pop — e um dos primeiros "crossovers"

Além de arrancar risos, o filme marcou história como um dos primeiros grandes cinematográficos da história, reunindo personagens de filmes diferentes em uma mesma narrativa, algo que décadas depois se tornaria comum em franquias como Marvel ou Universo Cinematográfico da DC.

Abbott e Costello não apenas dividiram a tela com os ícones do terror, mas ajudaram a revitalizar o interesse nos monstros da Universal, que já estavam meio esquecidos após os anos 30 e 40.

 Classificação indicativa? Quase um ritual

Apesar do tom leve e bem-humorado, o filme recebeu no Brasil a classificação “Proibido para menores de 14 anos”, o que mostra como o conceito de "conteúdo impróprio" mudou com o tempo. Se em 1950 monstros de borracha e maquiagem assustavam o público, hoje esse mesmo conteúdo é consumido por crianças de 3 anos no YouTube e com direito a edição com dancinha e meme.

 Abbott & Costello: mais do que comediantes

A dupla foi um fenômeno nos anos 40 e 50, com dezenas de filmes, programas de rádio e participações em musicais. Em produções como Ride 'Em Cowboy (1942), chegaram até a dividir cena com Ella Fitzgerald. Mesmo sem lançarem discos próprios, são lembrados como artistas completos, que cantavam, dançavam e faziam rir.

 

Curiosidades

  • O filme mistura terror clássico com comédia, mas os monstros são retratados com seriedade — quem faz graça é só a dupla;
  • Vincent Price aparece só com a voz no final como o Homem Invisível, sugerindo uma possível continuação.

 Legado

Abbott and Costello Meet Frankenstein é hoje considerado um clássico cult. Foi listado pelo American Film Institute como um dos 100 filmes mais engraçados da história, e deu início a uma sequência de outros encontros com monstros:

  • Abbott and Costello Meet the Killer, Boris Karloff (1949)
  • Abbott and Costello Meet the Invisible Man (1951)
  • Abbott and Costello Meet Dr. Jekyll and Mr. Hyde (1953)

 O começo do fim: a queda de Abbott & Costello e a chegada de uma nova geração

Apesar do sucesso de Abbott and Costello Meet Frankenstein em 1950 no Brasil, a dupla já começava a enfrentar uma fase de desgaste nos Estados Unidos. Após dominarem o rádio, o cinema e a televisão durante a década de 1940, sua fórmula de comédia baseada em trocadilhos, mal-entendidos e pastelão verbal começou a parecer antiquada diante de um público que queria algo novo mais visual, mais ousado, mais rápido.

Foi nesse momento que surgiram Dean Martin e Jerry Lewis, uma dupla explosiva que redefiniu o humor nos anos 50. Martin, com seu charme e voz de crooner, e Lewis, com seu humor físico e caótico, trouxeram uma comédia mais jovem, mais televisiva, e que falava diretamente à nova geração americana do pós-guerra.

Enquanto Martin & Lewis subiam ao estrelato, Abbott & Costello enfrentavam problemas pessoais (como doenças, desentendimentos e tragédias familiares) e uma série de filmes de qualidade decrescente. O público começou a se cansar da fórmula repetida, e o brilho da dupla se apagou gradualmente ao longo dos anos 50. Nos anos 70, já eram lembrados apenas com nostalgia mas sua importância na história do humor jamais foi esquecida. 

No Brasil, o filme foi exibido com variações como:

  • Abbott e Costello às Voltas com Fantasmas (como aparece no seu encarte)
  • Abbott e Costello Contra os Fantasmas (em outras cidades/épocas

Em exibições mais recentes, pode aparecer como:

  • Abbott e Costello Encontram Frankenstein
  • Ou até com o título original em inglês.

Revisitar esse encarte de 1950 foi como abrir uma cápsula do tempo: vemos um mundo onde monstros ainda eram temidos, onde ir ao cinema era um evento, e onde o riso precisava de mais do que um vídeo de 15 segundos. Naquela sexta-feira, o Brasil riu e se assustou com monstros... e talvez tenha sonhado com eles à noite. Hoje, essas criaturas fazem parte da nossa cultura pop mas o charme daquele cinema em preto-e-branco, com cartaz exagerado e classificação rígida, continua insubstituível.

 


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