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Quem foi o Primeiro: Santos-Dumont ou os Irmãos Wright?

Quem foi o Primeiro: Santos-Dumont ou  os Irmãos Wright?
Redação EhJapa
Por: Redação EhJapa
Dia 20/07/2025 00h00

Quando se fala em pioneiros da aviação, dois nomes causam mais polêmica que qualquer outra competição: Santos-Dumont e os irmãos Wright. Cada um com méritos reais e com narrativas construídas de formas bem diferentes.

Por que Santos-Dumont é considerado o “Pai da Aviação”?


Porque em 23 de outubro de 1906, no campo de Bagatelle em Paris, ele realizou o primeiro voo público, autônomo e homologado de um avião: o 14-Bis. E isso importa muito por três motivos:

Foi presenciado por testemunhas oficiais do Aéro-Club de France, jornalistas e público;
O avião decolou por seus próprios meios, sem catapulta, trilho ou impulso externo;
O evento foi imediatamente divulgado e aceito internacionalmente como um marco.
Ou seja: ele não só voou ele mostrou que voou. 

E por que o avião dos irmãos Wright (Flyer I, 1903) não foi considerado “avião” na época?


Porque, embora tecnicamente tenha voado antes, em 17 de dezembro de 1903, na Carolina do Norte, o Flyer tinha limitações sérias:

Não conseguia decolar por conta própria: precisava de um trilho, catapulta e vento lateral específico;
O voo foi feito em segredo, sem testemunhas técnicas ou homologação oficial;
Eles só apresentaram provas públicas em 1908, já depois do voo de Dumont.
Na lógica da época, o que definia um avião não era apenas sair do chão mas fazê-lo por conta própria, com controle, e diante da comunidade científica. 

Comparando com aviões das Forças Armadas (hoje)


“Se o Flyer precisava de catapulta e não era avião, então os caças de porta-aviões também não são?”

Boa provocação mas o contexto é outro:

Os caças modernos podem decolar por conta própria se tiverem pista suficiente. Eles usam catapultas por estratégia e espaço, não por limitação do projeto.
Já o Flyer não decolava de jeito nenhum sem trilho e catapulta. Ele não era capaz de decolar sem intervenção externa.

Essa diferença é crucial. O 14-Bis era independente. O Flyer, em 1903, não era. 

Mérito dividido, mas peso histórico diferente


Os Wright inventaram muito antes. Suas asas, lemes e metodologias influenciaram toda a aviação moderna. São indiscutivelmente pioneiros técnicos.
Dumont deu ao mundo o primeiro voo real aos olhos da humanidade. Ele não apenas voou ele provou. E essa prova pública, sem truques ou catapultas, foi o que o consagrou como o Pai da Aviação para o mundo latino, francófono e brasileiro.

Uma Conquista Coletiva


Depois de analisar os textos antigos e a rica história por trás dos primeiros voos, cheguei a uma conclusão essencial: ninguém inventou o avião sozinho. Em vez disso, cada pessoa — acredito que começando com a visão de Da Vinci, foi um incentivo crucial para dar forma e vida a essa máquina fantástica. Se cada um que participou da construção não tivesse colaborado com uma peça, uma ideia, um sacrifício ou um avanço, provavelmente ainda estaríamos apenas no início da jornada rumo aos céus. A aviação é, em sua essência mais pura, o triunfo da colaboração humana.

 

Referências


Dépagniat, Roger. Les martyrs de l'aviation. Paris: Pierre Roger et Cie, 1912. Disponível em: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6549216k
Gallica, Bibliothèque nationale de France. https://gallica.bnf.fr/ (Pesquisas em jornais e periódicos da época, incluindo informações sobre a Copa Pommery).
Internet Archive. https://archive.org/ (Para materiais históricos e digitalizados, incluindo  edições do livro de Dépagniat ou outros documentos).
Newspapers.com. (Plataforma de arquivos de jornais históricos).
Memórias.gov.br. (Portal de arquivos e memória do Brasil, com informações sobre Santos-Dumont e o contexto da aviação).


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