Uma linda lenda de amor
lenda de Orihime e Hikoboshi
Há muito tempo atrás, no tempo da formação do universo, Tenkou-Sama (天工), o Imperador celestial, ainda encontrava-se atarefado confeccionando estrelas e as pendurando à noite nos céus.

A tarefa de tecer era de sua bela e jovem filha, Tanabata Tsume, mais conhecida como Orihime (織姫, estrela Vega), a princesa tecelã, pois tecia as peças (nevoeiros, neblinas e nuvens) mais delicadas, finas, leves e macias que eram penduradas entre as estrelas do céu. Isso orgulhava muito o Imperado celestial, o qual sempre agradecia pela valiosa filha que possuía. Porém, um dia ele percebeu que sua amada filha estava pálida e triste, então lhe deu um dia de folga para que saísse e se divertisse dentre as estrelas da Via Láctea, durante o dia todo, e que voltasse logo para ajudá-lo a terminar de construir os céus.

A moça ficou tão contente que vestiu seu mais belo e delicado kimono, e se pôs a correr entre as estrelas do Rio Celeste. No meio da Via Láctea, ela avistou um formoso rapaz que banhava um boi.
Iniciou-se uma conversa entre os dois, o rapaz era a estrela Altair, conhecido como Hikoboshi, o pastor (彦星) e juntos foram para a casa do rapaz, no outro lado da Via Láctea, no meio de toda diversão, os dois se apaixonaram e perderam a noção da hora.
Preocupado, o Imperador celestial mandou um pássaro mensageiro para encontrar Orihime e pedir para voltar. Mas de nada adiantou, a princesa se divertia tanto que mal ouviu a ave. Nesse dia, a vida dos dois girava só em amor e diversão, que se esqueceram de suas responsabilidades.

Sendo assim, o próprio Imperador foi buscá-la, dando-lhe um frio sermão e dizendo que nunca mais poderia dispensá-la do trabalho. Entristecido e indignado com a irresponsabilidade dos dois, o soberano despejou uma enorme quantidade de água estrelar no Rio Celeste, a Via Láctea que um dia fora um lago raso, agora era um rio caudaloso e não podia ser atravessado com facilidade.

Como a princesa e pastor moravam em hemisférios opostos da Via Láctea (margens opostas do rio), não havia como se encontrarem, mesmo às escondidas. Então, a moça voltou melancolicamente junto ao tear no Palácio celeste, mas se sentia solitária e com tanta saudade de Altair, que não conseguia mais tecer. Apenas sentava-se e chorava, dia após dia.
No hemisfério sul, o pastor se encontrava angustiado assim como a tecelã, e suas canções melancólicas chegavam até o divino palácio Celeste com ajuda do vento, aumentando as saudades da estrela Vega. As nuvens que ainda restavam nos céus tornaram-se lágrimas e despencaram no mundo em forma de chuva.
Dado o ocorrido, o soberano se desesperou, pois com a queda das nuvens a terra começou a se inundar. Então, procurou sua filha e disse:
"- Por favor, minha princesa, deixe de chorar. Precisamos tantos de nuvens, névoas e neblinas para manter a natureza em equilíbrio. Causará um dilúvio se continuar a chorar dessa maneira, e ninguém sobreviverá. Vamos fazer um acordo e colocar um fim nisso. Você volta a tecer com diligência e eu lhe concedo um dia por ano para ver teu amado Hikoboshi."

Essas palavras devolveram a felicidade à jovem, que voltou a tecer entusiasmada com o trabalho. Desde então, não deixou de tecer por um único dia.
Seria permitido que os apaixonados se encontrassem no sétimo dia, do sétimo mês, do calendário lunar, mas apenas se ambos cumprissem suas obrigações. Em agradecimento à dádiva recebida, o casal atende aos pedidos dos mortais, feitos nos papéis coloridos (tanzaku) e pendurados nos ramos de bambus.

Desse modo, todo o ano, nesta exata data, um barqueiro da lua, leva Orihime ao encontro de seu amado, Hikoboshi. Contudo, se eles não cumprirem seus afazeres da melhor forma, o Imperador celestial faz com que chova inundando o rio Celeste, impedindo que o barqueiro consiga buscá-la.

Se tal fato ocorre, os Kasasagi (grupo de aves) formam uma ponte, ajudando a princesa a cruzar o rio e ir ao encontro do pastor.


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