A Origem do Termo 'Dito Cujo' e Suas Curiosas Variações
O termo "dito cujo" é amplamente utilizado na língua portuguesa para se referir a algo ou alguém já mencionado, mas que não queremos ou não podemos nomear diretamente. O que muitos não sabem é que essa expressão tem suas raízes nos documentos formais do século XIX e na própria evolução da língua portuguesa.
As Origens de 'Dito' e 'Dita' nos Documentos Antigos
Ao longo do século XIX, os registros legais e administrativos frequentemente usavam as palavras "dito" e "dita" para evitar repetições desnecessárias. Por exemplo, em inventários de mercadorias, era comum encontrar frases como:
"Uma dita barrica, cujo conteúdo se ignora."
"Várias peças de dito, cujo préstimo se ignora."

Aqui, "dito" e "dita" eram usados como substitutos para palavras mencionadas anteriormente, tornando a escrita mais eficiente. Com o tempo, essa estrutura passou a ser aplicada não apenas a objetos, mas também a pessoas e situações, o que levou ao surgimento da expressão "dito cujo".
A Ligação de 'Dito Cujo' com Portugal
O termo "dito" tem raízes profundas na tradição linguística e burocrática de Portugal. Sua origem vem do latim "dicere", que significa "afirmar" ou "expressar". Nos documentos portugueses dos séculos XVIII e XIX, era comum encontrar expressões como "o dito requerente apresentou provas" ou "a dita mercadoria foi entregue conforme descrito acima", reforçando seu uso como referência a algo já mencionado. Essa prática foi trazida para o Brasil pelos colonizadores e influenciou a forma como o termo foi incorporado ao nosso vocabulário.

Embora "dito cujo" tenha sido usado formalmente em Portugal, o Brasil foi responsável por popularizá-lo como uma expressão mais coloquial e bem-humorada, tornando-a parte do dia a dia dos falantes do português brasileiro.
O Uso Popular e a Evolução da Expressão
Se no século XIX "dito" era um termo técnico e burocrático, no Brasil contemporâneo ele ganhou um tom coloquial e até cômico. Hoje, usamos "dito cujo" e "dita cuja" em diversas situações:
Quando evitamos citar o nome de uma pessoa: "Aquele dito cujo apareceu de novo."
Para substituir o nome de um objeto: "Onde está a dita cuja da chave?"
Para expressar frustração com um objeto: "Cortei o dedo naquela dita cuja da faca!"
Esse uso se tornou tão enraizado que hoje falamos "dito cujo" instintivamente quando queremos nos referir a algo que já foi mencionado ou é de conhecimento do interlocutor.
Dito Como Nome Próprio? Sim, Existe!
Curiosamente, "Dito" também se tornou um nome próprio no Brasil. Em muitos casos, é uma abreviação de Benedito, mas também pode ter se originado de uma situação engraçada no momento do registro civil. Imaginem um pai no cartório, nervoso, respondendo "Afirmo que esse Dito é meu filho" – e o escrivão, sem entender, registrando o nome "Dito"!
A Criatividade Brasileira e os Nomes Inusitados
O Brasil é conhecido por sua criatividade na hora de batizar pessoas. Entre os nomes mais peculiares registrados ao longo da história estão:
Oceano Mares da Costa
Xerox Cópia e Fotocópia
Dolarina
Bemvindo e Bemvinda
Isso mostra que o costume de criar nomes inusitados pode estar ligado à nossa cultura linguística flexível, onde palavras formais acabam se tornando apelidos e apelidos se tornam nomes.
O termo "dito cujo" evoluiu de um uso técnico e burocrático para uma expressão popular cheia de humor e versatilidade. Seja para evitar repetir informações, evitar nomes incômodos ou simplesmente substituir algo de maneira engraçada, essa expressão atravessou séculos e continua viva no vocabulário dos falantes de português.
Mas uma coisa eu digo... Quando leio os jornais antigos, fico pensando em como seria bom se tivesse um interprete de dialeto antigo. Que dito cujo , são esses ditos?

E quem diria que um simples "dito" do passado ainda nos renderia tantas boas histórias?
E você, que nos lê de Portugal, ainda usa 'dito cujo' no dia a dia? Como essa expressão é vista por aí?

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