Cinema Nacional: Bacurau, ganhador do prêmio em Cannes de 2019 (Spoilers)
Distopia? Realidade? Revolta? Bacurau é tudo isso junto. Um pequeno vilarejo do sertão de Pernambuco desaparece do mapa e enfrenta ameaças externas com união, sabedoria e muita bala. É um filme que diz: “Aqui, não!” com sotaque carregado e orgulho de origem. Em Bacurau, a memória é arma. E o povo, munição.
Bacurau (2019)
- Direção: Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
- Local: Sertão de Pernambuco (fictício, mas profundamente real)
- Gênero: Ficção científica social, faroeste brasileiro, distopia
Sinopse expandida
Alguns anos no futuro, o povoado de Bacurau, no sertão nordestino, sofre o luto pela morte de Dona Carmelita, uma anciã respeitada pela comunidade. Pouco tempo depois, algo estranho acontece: Bacurau desaparece dos mapas online. Cortam a comunicação, a estrada é bloqueada e a cidade parece isolada do mundo. Mas logo fica claro que o vilarejo está sendo alvo de uma invasão silenciosa e brutal. O que os forasteiros não esperavam é que os moradores de Bacurau são organizados, inteligentes e sabem lutar. E não vão se entregar facilmente.
Temas abordados
- Colonialismo moderno e apagamento de identidades
- Resistência popular e união comunitária
- Cultura como arma
- Crítica à elite estrangeira e à negligência política
- Identidade nordestina com orgulho e fúria
Curiosidades
- O nome Bacurau vem de uma ave noturna comum no sertão, símbolo da vigilância silenciosa.
- Foi premiado no Festival de Cannes com o Prêmio do Júri, encantando o mundo com sua mistura de realismo nordestino e ficção científica crítica.
- O filme tem um elenco de peso com Sônia Braga, Silvero Pereira, Udo Kier e Barbara Colen.
- Foi comparado internacionalmente a obras como Os Sete Samurais, Ensaio Sobre a Cegueira e até Kill Bill.
- Apesar do tom fantástico, foi inspirado em histórias reais de comunidades marginalizadas.
- As cenas foram gravadas em Parelhas (RN) com estética “meio faroeste, meio Mad Max”.
Impacto cultural
Bacurau virou sinônimo de resistência e identidade local. Foi além do cinema e entrou no vocabulário popular e político. A famosa fala “Aqui é Bacurau, porra!” virou bordão em protestos, memes e camisetas. O filme é também um recado direto sobre o valor da cultura regional, da memória coletiva e do poder de um povo quando se une.
Com seu estilo que mistura faroeste, ficção científica e realismo social, o filme escancara uma verdade: o Brasil profundo pode muito.
“Aqui é Bacurau.” simples, direto e com a força de quem sabe de onde vem.
Análise detalhada: cena a cena conforme minhas perspectiva
O início: uma represa, um velório e um prefeito oportunista
No início do filme, diz-se que foi gravado no Oeste de Pernambuco, mas na verdade as filmagens aconteceram na povoação de Barra, no município de Parelhas, e na zona rural do município de Acari, no Sertão do Seridó, Rio Grande do Norte. Algumas cenas também foram feitas no Açude Gargalheiras, um ponto muito visitado por turistas.(google, youtube, makingoff)
O filme começa com uma cena impactante: uma represa bloqueada e guardada a balas.

Em seguida, somos levados ao velório de Dona Carmelita, uma senhora respeitada e querida por todos da comunidade.

Logo, a narrativa expõe a corrupção política e o abuso de autoridade. O prefeito, em busca de reeleição, visita a região com promessas falsas, trazendo um caminhão com livros rasgados, comida vencida e remédios de tarja preta.

Ainda, leva uma das prostitutas à força, deixando claro seu desprezo pelos moradores. A frase dita por ela ao abusador, "Você não foi legal comigo da última vez",

resume bem a relação de exploração.
Primeiros sinais de tensão e mistério
Durante a noite, enquanto as pessoas da vila estavam dormindo, foram acordadas pelos barulhos dos cavalos do sítio vizinho, que apareceram misteriosamente galopando desorientados pelas ruas, como se estivessem fugindo de algo.

No dia seguinte, o caminhão-pipa que chega trazendo água está perfurado por tiros.
Dois rapazes vão devolver os animais , ao chegar no sítio, se deparam com uma chacina: mataram todos.
E o início do mistério começa.

A chegada dos forasteiros
A tensão aumenta com a chegada de dois motoqueiros, claramente forasteiros. Ao entrarem no bar, eles instalam um bloqueador de sinal.

Logo, os moradores descobrem que Bacurau sumiu do mapa. Nos aplicativos de navegação e mapas digitais, o vilarejo simplesmente não existe mais. Pacote (Thomas Aquino) percebe que algo está errado e vai atrás dos dois amigos que foram levar os cavalos, e se depara com os dois mortos no meio da rua.

Caça humana e execução interna
Os moradores ainda não sabem quem está por trás dos ataques, mas sentem que algo muito estranho está acontecendo. Há um clima de medo e incerteza, e o sentimento de que algo ruim vai acontecer.
Logo depois que os dois motoqueiros voltam ocorre uma reunião do grupo, fica claro que há regras: a matança é exclusiva para os integrantes estrangeiros. Os dois motoqueiros, ao desobedecerem essa ordem e matarem por conta própria, são baleados e mortos como punição. Isso revela a frieza e a estrutura organizada do grupo, além do caráter sádico do jogo que planejam.

O aviso do drone e a busca por Lunga

Depois, a cena volta para Pacote onde ele decide levar os corpos dos amigos baleado até Lunga, e é avisado para tomar cuidado: pois tinha drone sobrevoando a região, e ele não pertencia a ninguém dali. Pacote, então, leva os dois corpos para a represa, onde busca ajuda de Lunga, um aliado temido e respeitado.

O retorno de Lunga e o clima de guerra
Lunga é recebido no vilarejo com palmas e alegria do povo, determinado a cavar o buraco que aparentemente só ele sabia onde ficava.

Enquanto isso, as crianças brincam de "quem vai mais longe no escuro", e é nessa hora que um dos meninos, ao se afastar demais, é baleado e morto.
Um marco de azimute é um ponto físico que serve como referência para a medição do azimute, que é a direção angular de um ponto em relação ao norte.

Um casal que presencia o clima de terror tenta fugir para buscar segurança em outra cidade, mas o carro é interceptado no caminho e os dois são metralhados dentro do veículo.
A emboscada final
No dia seguinte, o povo já sabia o que ia acontecer. Então, fingem não saber de nada, mas se preparam em silêncio, esperando os estrangeiros aparecerem. Os dois primeiros são mortos logo no inicio do jogo.

O restante do grupo entra na vila, onde é surpreendido e morto um a um. Cada invasor é morto pela comunidade, até sobrar apenas o mandante da operação, que é enterrado vivo no buraco que Lunga havia desenterrado anteriormente.

O castigo do prefeito
Enquanto isso, o prefeito que havia saído para buscar os estrangeiros acreditando que Bacurau realmente havia desaparecido retorna e encontra o povo unido, à base de um psicotrópico fortíssimo, determinado a resistir. Como punição, os moradores tiram sua roupa, colocam um capuz em sua cabeça e o amarram em cima de um burro. E, como dizem em tom simbólico:
"Que esse burrinho, que tem que cumprir essa missão infeliz, volte em paz e tranquilidade."

Frase final

Será que teremos Bacurau 2?
Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles dizem que estão pensando.


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