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Samurai X Shishio Makoto e Ishikawa Goemon: Quando a História Vira Lenda

Samurai X Shishio Makoto e Ishikawa Goemon: Quando a História Vira Lenda
Redação EhJapa
Por: Redação EhJapa
Dia 07/09/2025 00h00

Em Rurouni Kenshin, o vilão Shishio Makoto impressiona por sua crueldade e pela marca do fogo em seu corpo. Ele é apresentado como um guerreiro queimado vivo e deixado para morrer, mas que sobreviveu, transformando-se em inimigo mortal de Kenshin. Embora seja uma criação fictícia, Shishio carrega ecos de uma figura histórica real que também enfrentou um destino marcado pelo fogo: Ishikawa Goemon, o lendário "Robin Hood japonês".

Shishio Makoto e a chama que não apaga

Na obra de Nobuhiro Watsuki, Shishio é um hitokiri (assassino) que atuou no mesmo período de Kenshin, mas acabou traído e queimado vivo pelos próprios aliados, considerado perigoso demais para continuar vivo. Seu corpo todo carbonizado o obriga a viver envolto em ataduras, transformando-o em uma figura monstruosa e ao mesmo tempo fascinante.

Esse destino trágico não é apenas fruto da imaginação: o Japão histórico tem registros de execuções cruéis que lembram esse tipo de punição exemplar.

Ishikawa Goemon: o bandido que virou herói

Ishikawa Goemon foi executado em 1594, em Kyoto, por ordem do daimyō Toyotomi Hideyoshi. Os registros confirmam que ele foi fervido vivo em uma enorme caldeira de ferro, junto com o filho pequeno. É um dos casos mais cruéis e célebres de execução no Japão feudal.

 

Para conhecer o enredo de SamuraiX é so clicar no link abaixo:

Samurai X (Rurouni Kenshin)

História confirmada

sabemos apenas que Goemon existiu, foi capturado e morto dessa forma.
O resto é lenda: dizem que ele roubava dos ricos para dar aos pobres, que tentou assassinar Hideyoshi, e que, no momento da execução, ergueu o filho acima da caldeira, tentando salvá-lo do calor.
Esse gesto transformou Goemon de criminoso em herói trágico aos olhos do povo.

A versão lendária

Segundo as histórias populares e peças de kabuki:

Goemon teria nascido em uma família samurai, mas se tornou órfão e viveu como ninja fugitivo.
Cresceu como ladrão, desafiando senhores feudais e templos ricos.
Tentou matar Hideyoshi, mas falhou.
No momento de sua morte, sua luta para proteger o filho o consagrou como símbolo de coragem e resistência.
Com o tempo, o Goemon histórico se perdeu dentro do mito do herói que enfrenta tiranos.

Goemon no Kabuki

Samurai X Shishio Makoto e Ishikawa Goemon: Quando a História Vira Lenda

A peça mais famosa é "Sanmon Gosan no Kiri" (1778). Nela, Goemon aparece no alto do portão do templo Nanzen-ji, em Kyoto, contemplando o mundo com altivez. É nesse momento que pronuncia a frase que se tornou bordão cultural:

「絶景かな、絶景かな!」 (Zekkei kana, zekkei kana!)
"Que vista magnífica! Que vista magnífica!"
No palco, a fala é arrastada e poderosa, transformando simples palavras em uma explosão dramática: algo como “Ziiikeiii… kaa-naa~”. Para ouvidos não acostumados, parece um grunhido, mas é o estilo declamado do kabuki, feito para impactar.

Essa frase ultrapassou os palcos e virou parte da cultura popular japonesa. Até hoje, é usada para brincar diante de uma paisagem deslumbrante.

Historicamente ele morreu de forma cruel, mas no teatro ele é mostrado no auge da glória, como lenda maior que a vida.

 

Para você que ficou interessado no Kabuki e quer conhecer a famosa fala click no link abaixo e será direcionado para o Youtube

Kabuki vídeo

Da caldeira ao mangá

A execução real de Goemon e sua transfiguração lendária no kabuki mostram como a cultura japonesa transforma dor em espetáculo e mito. O mesmo processo ocorre em Rurouni Kenshin: Shishio é a versão moderna desse imaginário, carregando no corpo o fogo da crueldade, mas devolvendo-o como chama de vingança.


Shishio Makoto não é uma cópia direta de Ishikawa Goemon, mas sua essência nasce da mesma fonte: um destino cruel e uma imagem imortalizada pelo exagero da arte. O fogo que destruiu Goemon e Shishio acabou também por eternizá-los, um na história e no kabuki, outro no mangá e no anime.

No fim, ambos mostram como o Japão sabe transformar tragédia em lenda, e lenda em espetáculo.


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