Yaguruma Kennosuke: O Samurai da Justiça Que Enfrentava Castelos-Tanque
Com ação de tirar o fôlego, vilões mascarados e uma fusão ousada entre o Japão feudal e a ficção científica, “Yaguruma Kennosuke” é uma relíquia da cultura pop japonesa que merece ser redescoberta.

Anúncio da estreia televisiva com Shigeo Tezuka como Kennosuke.
Do mangá à TV: a origem de uma lenda esquecida
Yaguruma Kennosuke estreou na revista Shōnen da editora Kobunsha em agosto de 1957. Foi a primeira grande obra de Taku Horie, que criou um herói incomum para os padrões da época: um espadachim que também dominava armas de fogo e enfrentava inimigos com equipamentos futuristas.
Seu principal antagonista era o Imperador da Noite, uma figura mascarada que operava castelos móveis e máquinas de guerra. A combinação de ação histórica e ficção científica marcou uma nova era no mangá infantil japonês.

O drama de TV (1959–1961)
Em 15 de maio de 1959, o herói ganhou sua adaptação live-action, exibida na NTV todas as sextas-feiras. O drama teve 91 episódios de 30 minutos, encerrando-se em 3 de fevereiro de 1961. O ator Shigeo Tezuka deu vida ao espadachim justiceiro, em um tokusatsu que misturava teatro, ação e efeitos especiais práticos, levando à televisão um Japão alternativo onde a espada convive com tanques de guerra.
Apesar do sucesso, muitos episódios se perderam ao longo do tempo, e a série não foi relançada em formatos modernos, o que contribuiu para seu esquecimento.
Ação explosiva e criativa
As páginas do mangá de Horie eram recheadas de movimento, velocidade e criatividade visual. Kennosuke enfrentava grupos inteiros de ninjas com técnicas de combate dinâmicas, sempre apoiado por sua inteligência e destreza.
Além disso, os enquadramentos ousados e a ambientação de desfiladeiros a fortalezas móveis mostravam o quanto a série era inovadora para sua época.
Nas cenas mais memoráveis, Kennosuke aparece montado em seu cavalo, duelando com inimigos em locais quase cinematográficos. A influência visual do mangá é inegável até hoje essas composições inspiram ilustradores e diretores nostálgicos.
Por que foi esquecido? Um legado à sombra dos gigantes?
Apesar do sucesso, muitos episódios da série se perderam ou não foram arquivados adequadamente. Sem relançamentos modernos, Yaguruma Kennosuke foi contemporâneo de Astro Boy e Tetsujin 28, todos publicados na mesma revista. Enquanto os heróis futuristas de Tezuka e Yokoyama ganharam relançamentos e animes, o espadachim de Taku Horie ficou relegado às memórias dos fãs mais antigos.
Mas sua proposta ousada - unir samurai com tecnologia e ação explosiva - é considerada precursora de gêneros que viriam a dominar o tokusatsu e o anime futurista nas décadas seguintes.
Hora de redescobrir
“Com sua mistura ousada de estética feudal e sci-fi, Yaguruma Kennosuke é um precursor do gênero tokusatsu moderno.”
É hora de olhar para trás com orgulho e lembrar que muito antes dos mechas e super-heróis com capacetes coloridos, havia um espadachim justiceiro lutando contra castelos que viravam tanques. E seu nome era Yaguruma Kennosuke. imagine um anime com traços de Dororo e a pegada de Samurai Champloo.

Ainda existem alguns exemplares em sites como Mandarake, mas já vou avisando, é caro.

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