Artista Plástica Yuyu Ichitomi e os Doushin-kun: a alma infantil que transforma a dor em arte
Assim como muitas pessoas, Yuyu Ichitomi não começou sua jornada com a intenção de se tornar uma artista. Mas, como ela mesma descreve, a vida a levou a lugares difíceis, até o fundo do poço — e foi nesse momento que decidiu transformar seus sentimentos em algo que pudesse inspirar outras pessoas. A arte tornou-se não apenas uma válvula de escape, mas uma linguagem de conexão, cura e transformação.
Yuyu Ichitomi na exposição HIKKURI KAESU
Nascida na vila de Nozawa Onsen, em Nagano, Yuyu é artista visual, educadora e criadora de experiências artísticas que nos convidam a mudar a forma como enxergamos o mundo — ou como ela mesma diz, “HIKKURI KAESU”: virar de cabeça pra baixo.
“Se quiser mudar o mundo, vire sua perspectiva de cabeça pra baixo.”
Seus personagens enigmáticos, com cabeças em forma de nuvem, são os Doushin-kun. Eles não têm rosto, não seguem padrões — são manifestações da alma infantil, essência que Yuyu acredita ser o poder mais revolucionário do ser humano.

Em Paris, onde estudou arte, ela se surpreendeu com a forma como a arte faz parte da vida das pessoas. Criou uma exposição interativa no Ario Ueda onde qualquer pessoa podia desenhar e participar.
“Quis criar um espaço em que todos se sentissem parte da obra”
disse.
Mas suas obras vão além do lúdico. Elas falam de perda, solidão, superação. Uma de suas obras mais marcantes, "Go Slowly", foi inspirada pela perda de seu cachorro. A cidade em colapso representa seu coração naquele momento, e a escada que o personagem sobe lentamente simboliza a reconstrução emocional.

Yuyu também compartilha que tem daltonismo, e por isso pinta com liberdade, sem se prender a regras estéticas. Ela usa as cores como uma criança: com instinto e emoção.
“JUST LIVE. Apenas viva. O milagre é existir.”
Para Yuyu, os espinhos não são defeitos, mas expressões da individualidade. Ela acredita que o mundo precisa dessas diferenças, que nos tornam humanos.
“O espinho é o símbolo do ‘eu’. Aquilo que nos torna únicos.”
Hoje, Yuyu deseja levar seus personagens para livros, animes, jogos e projetos educativos. E para quem se sente deslocado, deixa uma mensagem simples e poderosa:
“Sua arte só você pode criar. Flutue o quanto quiser.”



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